29/07/2014

Mãe Real me assumo!



O despertador toca, sou profissional liberal não há horários, viro-me para o lado descansada,estava a sonhar, adormeci e já estou atrasada, levanto-me mal disposta, com sono, remelenta e descabelada, já estou mesmo atrasada, só há tempo para um duche rápido já não consigo lavar o cabelo, nada de caracóis definidos ou um cabelo impecavelmente esticado, carrapito no alto da cabeça e está óptimo, visto-me, tento disfarçar as olheiras e sigo para a cozinha, preparar biberons, almoços e lanches e pelo meio tomo o pequeno almoço a prestações, vou acordá-lo também está mal disposto, digo-lhe para despachar um que eu despacho outro, vira-se para o lado diz que também tem que ter tempo para se arranjar, vou tentar dar conta do recado sozinha, acordo a M., dou-lhe o leite, mudo a fralda, visto-a e instala-se uma birra gigante porque não se quer despir, igual todos os dias, acordo o V., dou-lhe o leite e visto-o, o barulho que vem da sala é idêntico a uma martelo pneumático a partir a parede, deixo o V. na sala na espreguiçadeira ao lado de um sem fim de brinquedos espalhados por todo o lado, o A. entretanto aparece impecável, todo cheiroso, com o cabelo perfeitamente penteado, discussão matinal porque devia ter-se levantado para me ajudar, calço-me, olho-me ao espelho e nem estou assim tão mal, estes sapatos de salto alto ficam mesmo bem neste vestido, lembro-me das escadas da escola, tiro os saltos altos, calço umas sabrinas, deixo os sacos de cada um à porta, distribuo 3 beijos, ele bolsa-me o vestido, passo um Dodot não há tempo para mais e sigo para o trabalho, não há transito, acordada há duas horas e já vou atrasada, encontro lugar para estacionar, fila para o elevador, carrego no 11º piso, fila para picar o ponto, já passa das 9h e finalmente sento-me à secretária, um sem fim de emails, um telefone que não pára, um devedor que é uma soda, prazos a expirar e julgamentos sem fim, almoço a correr para ter um bocadinho de tempo para mim, vou pintar as unhas, dou atenção a este meu filho, vou fazer umas compras para o jantar e algumas coisas que faltam para eles, felizmente que trabalho por cima de um centro comercial, já vou outra vez a correr para cima, 1 hora não dá para nada, vou à casa de banho, olho para o relógio para confirmar as horas, são 14h a cara do espelho apresenta no mínimo umas 22h, a tarde passa num ápice queria despachar hoje o prazo de amanhã para estar mais desafogada mas já não consigo por causa da reunião de última hora, os objectivos não estão a ser cumpridos, tenho que pressionar se não quero ser pressionada, 18h está na hora de sair, às 18h30 pico o ponto, a escola fecha às 19h vou a voar 2ª circular fora, está calor, está frio, está a chover, está a nevar, raios partam que qualquer que seja o motivo tem trânsito, chego à escola faltam 5 minutos para as 19h, ela abraça-me feliz de me ver, ele sorri-me e estica os braços, ele de um lado dentro do sling, ela do outro porque insiste que também quer colo, benditas sabrinas para conseguir descer as escadas com dois ao colo, chegamos a casa, tropeço nos brinquedos espalhados, ai se eu tivesse com os saltos altos, banhos, despacho-a a ela e ele fica na espreguiçadeira a ver tv, ela chora porque não quer sair do banho, o A. chega e vai preparando os jantares, o A. dá jantar à M., eu dou banho ao V. a M. chora porque quer que seja eu a dar a sopa, trocamos as posições, o V. também já está a jantar, tentamos dar-lhes alguma atenção antes de irem para a cama, jogar um jogo, cantar uma canção, ela não quer que ele brinque com os seus brinquedos, ele puxa-lhe os cabelos, eu encho-os de beijos e abraços, eles vão para a cama depois de chorarem porque não queriam ir, ainda não jantamos, discutimos outra vez à hora de jantar por qualquer coisa banal e sem importância, arrumo a cozinha, ele pede-me desculpa, já está a saltar o verniz das unhas pintadas à hora de almoço, estendo roupa, passo roupa, eu dou-lhe um bj e um abraço também em jeito de desculpa, preparo o dia seguinte, roupas e comidas, sopa para os miúdos, a bimby não descasca legumes, é meia noite está na hora de dormir, passo pelo sofá como quem passa na casa de partida do monopólio sem receber os 2 contos, ronda aos quartos para vê-los, beijo ao A. de noite feliz, passado duas horas a M. chora perdeu a chucha, ele encosta-se a mim e põe-me o braço na cintura, passado uma hora o V. chora quer leite, agora vais lá tu, não eu fui há um bocado é a tua vez, eu afasto-me dele, passado duas horas a M. também quer leite, foi uma noite difícil a dormir mal e pouco, o despertador toca, acordo mal disposta ....

Vai ser tão isto! A partir de Outubro numa casa perto de si! 

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