22/09/2016

Do Outono...

(Fonte)


Ontem perguntava-me a M. se faltava muito para irmos de férias, não sabia se havia de rir ou de chorar com a inocência de tal pergunta.

À semelhança do ano passado tentei explicar-lhe que o Verão acabou e que agora chegava o Outono, no fim, e com ar intrigado e desconfiado, questiona: 

- Mas no fim de semana vamos à praia não vamos? 

- Não sei, se calhar já não está calor. 

- Então se não formos à praia, vamos à piscina?

Imprimi esta história para a M. levar para a escola amanhã, talvez esteja sugestionada quando constantemente digo que "o Verão é que é bom", que "Não gosto do frio e da chuva, gosto de calor e de sol e sou mais feliz no Verão". Talvez a Professora J. a consiga convencer.

Quem sabe há por ai mais meninos com dificuldade a encarar o Outono :-) 

Boa história!

❤️❤️❤️❤️

20/09/2016

Da Minha Maternidade

maternidade    
ma.ter.ni.da.demɐtərniˈdad(ə)
nome feminino
1.            qualidade ou estado de mãe
2.            estado de gravidez; gestação
3.            relação afetiva entre mãe e filho(s)
4.            DIREITO vínculo jurídico que existe entre a mãe e o filho
5.            estabelecimento hospitalar, público ou privado, ou parte desse estabelecimento em que é feito o acompanhamento de mulheres grávidas e em trabalho de parto
6.            RELIGIÃO tratamento dado às religiosas que têm o título de madres


Quando conto que tenho um blog perguntam-me de imediato: Sobre quê?

Antes de responder faço questão de explicar que não sou blogger, conto a razão pela qual o blog nasceu e refiro que tenho a certeza que se a gravidez do V. tivesse sido “normal” este blog não existia, e acabo por responder: Ao contrário do que esperas este não é para mim um blog de maternidade! e concluo dizendo que este é sim, um blog sobre mim, sobre nós, para mim e para eles.

Lembro-me de no primeiro post deste blog a minha amiga I. ter comentado: “Matarei, por esta via, a minha sede da tua ciência tão valiosa e que sempre me apazigua o espirito no que respeita à L.. E irei, seguramente, deleitar-me com cada pedacinho da tua partilha!”

A realidade é que a minha ciência não é assim tão valiosa, assumir que isto é um blog de maternidade aliado à enorme responsabilidade estaria também uma ponta de pretensiosismo, pois a minha maternidade resulta de conhecimento empírico e não de horas de estudo ou leitura para que eu possa opinar sobre o que é melhor ou pior, porque isto da maternidade tem muito que se lhe diga, porque o que é para mim não é para ti, porque eu faço e tu não fazes, porque o que serve para mim pode não servir para ti, porque as minhas escolhas não são as tuas, mas basicamente, porque eu não sou a Mãe que tu és e eu não tenho os filhos que tu tens.

A minha maternidade é uma maternidade simples, não vivo obcecada com a opção pela amamentação em exclusivo ou pela opção pelo LA, não defende o uso de fraldas descartáveis ou fraldas orgânicas, não habita a polémica da pratica ou não pratica do co-slepping, a minha maternidade adapta-se às necessidades e gostos de cada filho.  

A minha Maternidade, não são só alegrias, mas não são só tristezas, não é um sentimento único e imutável, mas é indescritível, tento ser e fazer o melhor que consigo e não julgar os que fazem ou sentem diferente.

A minha maternidade não é o que se vê nos filmes, a minha maternidade todos os dias me esfrega na cara que tenho que continuar haja o que houver, porque isto não é um round trip ticket, e por isso às vezes dá medo mas também me estimula, e não, não é só amor, tento sempre aceitar as emoções e os sentimentos, sejam eles quais forem, sem negação, sem julgamento, sem culpa, assumindo que às vezes estou triste, cansada, tenho medo, sem nunca gostar menos deles por isso.

Na maternidade tende-se a ter medo de assumir outros sentimentos, porque a sociedade nos convenceu que na Maternidade só o amor pode existir sem dar lugar a outros sentimentos, mas não há nada de errado quando me irrito, estou cansada e sem paciência, não sou menos Mãe ou pior Mãe por isso. Não sou uma Mãe que está por trás de uma tela de cinema, eu falho, erro e fracasso, mas  pelo meio, tento, de forma serena, superar os erros e falhas, não com o objectivo da perfeição, mas com o mesmo objectivo da lagarta que vira borboleta, uma metamorfose materna sempre em busca do meu melhor.

A minha maternidade não é igual à tua, nem igual à de ninguém, aceito a minha, aceita a tua, sem procura de modelos ou padrões.

Assumir o que somos e como somos, até na maternidade. 

❤️❤️❤️❤️

08/09/2016

À minha amiga J. ♡


(do tempo dos Segredos ♡)


Conheço-a há mais de metade da minha vida.

Conheço-a do tempo da escola, conheço-a desde os tempos em que a nossa vida era uma festa e tinhamos poucas responsabilidades. 

A Joana vai casar!

Há quem tenha o coração na boca, às vezes tenho o meu na ponta dos dedos, não sou escritora, mas devo-lhe estas palavras.

A Joana é minha amiga, mas não é uma amiga qualquer, a Joana é minha AMIGA!

Já muito caminhamos juntas por este mapa da vida mas sei que ainda há tanto que nos falta caminhar, descobrir e viver.

O mais bonito da nossa amizade é: Sentir! Às vezes não precisamos de ver, estar, ouvir, tocar, basta sentir. A amizade constrói-se e alimenta-se, por vezes, de coisas invisíveis como as recordações, o respeito, a confiança, a cumplicidade, e isso sente-se, não se vê, não está, não se ouve, não se toca. 

Aprendi contigo o valor de guardar um segredo, éramos pequenas, não me recordo dos segredos, foram muitos, mas lembro-me de me pedires “não digas a ninguém” e de eu te pedir “guarda para ti”, e eu nunca disse e tu guardaste sempre, o silêncio entre duas amigas é precioso e serve de alimento à amizade.

Vivemos juntas momentos daqueles que não se apagam da vida, crescemos juntas, vivemos amores e desamores, sucessos e insucessos, casaste-me, agora eu caso-te, perdemos filhos juntas e ganhamos filhos juntas, em tudo, tu estavas lá para me erguer e eu estava lá para te dar a mão enquanto enxugávamos as lágrimas de tristeza e de felicidade uma da outra.

E quando às vezes perdemos o “nosso” norte, a vida é sábia e encarrega-se de nos encaminhar e levar de volta ao mesmo sentido, como duas crianças de mãos dadas que acabam por fazer um roda que gira no mesmo sentido ao som de uma lenga lenga que repetem sem se cansarem. Sabes que os amigos são como a música? Entra no ouvido, mexe connosco, deixa marcas na vida e tu, és uma das minhas músicas preferidas. 

Hoje, passados mais de vinte anos, sinto-me feliz por fazer a partilha desta amizade e da pessoa especial que és com mais alguém que igualmente especial, veio enriquecer a minha/nossa vida.

A vida por vezes leva excesso de bagagem, a tua amizade não conta.

Sê feliz meu amor. 

❤️❤️❤️❤️

06/09/2016

Do Novo Ano Lectivo...


As águias constroem ninhos em lugares altos para que estes estejam seguros e nada nem ninguém os consiga alcançar.

Os bebés ali estão, no seu porto seguro, a receber comida na boca, quentinhos, confortáveis e protegidos.

Mas, alguma vez viram como as águias ensinam os filhos a voar? 

Num minuto estão aconchegadas no ninho quentinho, confortável e protegido, e no minuto seguinte são arrastadas para fora do porto seguro pelos seus próprios pais.

À medida que os bebés são empurrados, batem as asas a medo, em pânico e acredito que também chorem.

Mas, lentamente, vão-se tornando mais fortes e mais capazes.

Os pais sabem o que estão a fazer.

Sempre que os seus bebés começam a perder o equilíbrio, os pais amparam, seguram e levantam, vez após vez, até que por fim o bebé aprende a fazer aquilo para o qual nasceu – VOAR!

❤️❤️❤️❤️

05/09/2016

04.09.2010



A esta altura já consegui perceber que isto do Amor não é um conto de fadas.

Muitas vezes preciso de respirar fundo e insistir, mesmo quando às vezes me dá vontade de desistir.

Podia fazer um post a dizer que estes 6 anos de casamento foram maravilhosos, que somos muito felizes, que fomos feitos um para o outro, que não vivo sem ti, que não vives sem mim e que somos uns sortudos. 

Treta!

O amor tem muito pouco ou nada a ver com sorte. 

Pode até ter sido uma sorte o momento em que apareceste na minha vida, mas também pode ter sido um acaso ou uma coincidência. 

A verdade é que a vida a dois precisa de muito mais do que sorte.

Há dias em que tudo é tão simples que nos entendemos só com um olhar, com um sorriso ou com um abraço.

Mas há dias em que discordamos de tudo, da música, das cores, dos horários, do tempo.

Não é fácil conviver com as diferenças, é preciso ser paciente, compreensivo, é preciso saber ouvir e o nome não é sorte, é tolerância. 

Assim como não é fácil viver nos dias em que discutimos, que gritamos, que mal nos falamos, mas que depois lá nos acertamos, as feridas vão cicatrizando, o tempo esbatendo as marcas e o destino vai-nos dando novas oportunidades que vamos sempre agarrando, e mais uma vez, o nome disto não é sorte, é compreensão, é perdão, é capacidade de superação. 

Também no casamento nos precisamos de reinventar, sair da rotina, não deixar cair na monotonia e embora sejas quase exímio nesta arte, esta não é uma tarefa fácil, mas também não é a sorte que nos abraça, mas sim a criatividade, o tempo, a capacidade de abrir mão e a dedicação.

Ouvir que me amas, ouvires que te amo, assumir o que sentimos um pelo outro também não é sorte, prefiro dizer que é coragem, é ter a coragem de assumir em pleno um compromisso sem tabus e sem vergonhas. 

Um “felizes para sempre” requer muita dedicação, renúncia, persistência e paciência, dá trabalho, é preciso cuidar para não perder, é preciso valorizar, é preciso empenho e dedicação, e nós, somos muito melhores juntos a perceber que amar é muito mais do que ter sorte.

❤️❤️❤️❤️

02/09/2016

RESULTADO Passatempo - Onde vais Safira?



E a Safira vai morar para a casa de...

Lúcia Brandão 

Parabéns! 





Por favor entre em contacto directo com a Safira através de mensagem na sua página de Facebook.

Obrigada a todos os participantes. 

❤️❤️❤️❤️

01/09/2016

Voltaram...



ontem!

Voltaram depois de uma semana de férias.

Não importa quanto tempo, quantos dias, quantas horas, quantos minutos estou longe deles, o desassossego é sempre igual.

Abraços apertados,

Gargalhadas sonantes,

Gritos pequeninos de felicidade, 

Beijos sem fim,

Três corações a fazerem uma festa,

Quando ontem entraram pela porta de casa nos meus olhos acenderam-se luzes de natal e dentro de mim rebentou fogo de artificio.

Depois do turbilhão da saudade e da ausência, tudo acaba, para dar passagem à serenidade e ao amor.

Eles chegaram.

A casa está cheia, tudo volta a ter vida, tudo está completo.

Acomodam-se no colo, encaixam a cabeça no peito, entrelaçam os braços no pescoço, deslizam os dedos pelo meu cabelo e sorriem.

Sorrisos nervosos e incrédulos, sorrisos próprios de quem chegou ao seu porto seguro.

Acalma coração, respira alma, sossega cabeça, os meus filhos estão em casa. 

❤️❤️❤️❤️

31/08/2016

Na nossa casa não vemos telejornal...

Sim, é uma daquelas casas em que é o canal Panda que reina. 

Confesso que por vezes prefiro ficar indiferente ao que se passa no Mundo e há mesmo noticias que me recuso a ler.

Cansada de me sentir incomodada, de me sentir intrigada e tantas vezes incrédula.

Sinto o peso da responsabilidade no que toca à educação dos meus filhos que vivem nesta sociedade de intolerância religiosa, machista, homofóbica, misógina, selectiva, excludente e cruel.

E penso muitas vezes que simples atitudes do nosso quotidiano que se repetem, ainda que por vezes inconscientemente, fazem perpetuar esta realidade e estas mentalidades.  

Está enraizado, é quase visceral… para mudar vai doer, vai mexer nas estruturas, vai virar coisas ao contrário, mudar mentalidades e formas de ser e estar. 

Preocupo-me com os filhos que vou deixar neste mundo.

Quero deixar filhos que pensam pela própria cabeça, curiosos, livres, dispostos a lutar e a acabar com modelos e padrões, filhos que dão a cara, que levantam bandeiras, que dizem o que pensam, que se respeitam a si mesmo e aos outros, filhos que não se acomodam, filhos que não baixam os braços, que não põem as mãos nos bolsos, activos e volto a repetir, livres, essencialmente livres. 

Quero deixar filhos que vão poder continuar a defender aquilo que querem e em que acreditam em prol de um mundo melhor.

Mas e se o mundo não estiver melhor?

Se não estiver melhor, eles vão estar ali, preparados para agir e enfrentar os obstáculos e não sentados à espera, a chorar, preocupados e a lamentar que vivem num mundo assustador e que não há maneira de o mudar. 

Mas há maneira, a maneira são eles, e para serem eles, temos que ser nós que também temos que mudar.

Para mostrar aos meus filhos o que é o respeito, por mim, pelos outros e pelo mundo, não me vou rir de piadas sobre raça, sexo ou religião, não vou diminuir uma luta ou um ideal mesmo que não seja meu e mesmo que não concorde com ele, não vou incutir clubismos, vou desmistificar o preconceito, não vou incentivar a minha filha a que seja ela sozinha a cuidar dos filhos, da casa e do marido, não vou dizer ao V. que não pode vestir cor de rosa ou brincar com as bonecas da irmã, não vou dizer que a irmã por ser mulher é mais frágil do que ele….vou ensinar que cada pessoa tem o seu lugar no Mundo independentemente das suas escolhas.

Exercer maternidade é quase um acto político no sentido em que somos nós Pais que temos a responsabilidade de ajudar os filhos a descobrir o seu potencial, somos nós Pais que ajudamos os filhos na construção dos seus projecto de vida, somos nós Pais que os temos que ajudar a ser (bons) cidadãos no Mundo, somos nós Pais que os temos que ajudar a exercer a sua (boa) cidadania, somos nós Pais os responsáveis por aquilo que está para vir. 

❤️❤️❤️❤️

25/08/2016

PASSATEMPO - Onde vais Safira?



A Ana Rita Forte é a autora do livro Onde vais Safira? 

A Safira, é uma jovem girafa, que um dia acorda e não está ninguém na sua aldeia. 

Todos desapareceram e não a levaram, resolve então partir sozinha, em busca da sua mãe e da sua família. 

Pelo caminho conhece um macaco, o Zacarias, que se torna seu amigo inseparável e se junta a ela nesta aventura pelo deserto. 

Safira descobre um mundo que não sabia que existia e vai viver uma aventura inesquecível com Zacarias e outros animais que conhece pelo caminho.

E pronto podiamos ficar por aqui bla bla bla... e concorram. Mas não, primeiro ainda falta falar da autora deste livro, a Rita. 

A Rita foi minha colega de escola na secundária, as escolhas das nossas vidas acabaram por nos separar e foi o facebook quem conseguiu a proeza de nos voltar a juntar ainda que virtualmente mas, com a sensação de que estive com ela ontem e que nunca ficámos sem falar durante alguns anos, e foi com surpresa que reencontrei a Rita com este "filho" nos braços.

E porque acredito neste projecto pessoal da Rita, e porque por trás deste projecto estão horas de trabalho e dedicação, um projecto que fez nascer com tanto carinho e expectativa, e sendo a melhor publicidade, a publicidade do passa a palavra, assumo que este é um passatempo com o objectivo de dar a conhecer a Safira e os seus amigos e com a certeza que daqui a um tempo a Rita nos vai presentear com novas aventuras da sua Safira. 

E agora sim :-) 

Para ganharem um exemplar da obra - Onde vais Safira?

1. Fazer gosto na página de facebook deste blog de palavras desajeitas
2. Fazer gosto na página de facebook da Safira 
3. Comentar identificando 3 amigas/os 
4. E partilhar no facebook

Só são válidas participações até dia 31 de Agosto (4ª feira) às 24h
A/O vencedora/o será seleccionada/o via Random.org e será anunciada/o dia 1 de Setembro (5ª Feira)

Só é válida uma participação por pessoa 

Nota: As participações deverão ser feitas na página de facebook do blog.

A Safira está à vossa espera, boa sorte! :-) 

❤️❤️❤️❤️

24/08/2016

Uma semana sem eles pela primeira vez 😃😩😃😩😃😩

E venho no caminho para casa a pensar:

"E agora chego a casa e vou fazer o quê?" 

1 - Tomar banho sem interrupções?
2 - Estender-me no sofá que me trata por você?
3 - Comer um gelado SÓ para mim?
4 - Ler aquele livro de 250 páginas que comecei em Junho e vou na página 50? 
5 - Vou-me já deitar para por o sono em dia?
6 - Aproveitar o silêncio? 

Nop...

(Quando sei perfeitamente que estão óptimos, a adorar e também a precisar de férias nossas)

Vou ligar aos avós para saber deles, para falar com eles e perguntar mil vezes se estão a gostar, se não têm saudades da Mãe e se querem vir para casa ✔️

Ele: 

- Até amanhã!

Ela:

- Oh Mãe, quero ir à praia!

❤️❤️❤️❤️

22/08/2016

Hoje vou casar o meu Pai...

No dia em que ele me casou...

Arrisco a dizer que este talvez seja o post mais íntimo que já escrevi no blog, o que mais revela sobre mim e sobre o meu modo de estar na vida.

Sou filha, como se chama na gíria, de uma família não tradicional ou até, como por vezes ouvi, de uma família disfuncional.

Quando tinha 9 anos, os meus Pais divorciaram-se, não tenho uma única memória dos meus pais enquanto casal, um dar de mãos, um beijo nos lábios, dormirem juntos...

Quando se divorciaram fiquei com o meu Pai, isto há 27 anos atrás era qualquer coisa de diferente. 

Entre eles combinaram que a casa seria para manter e que eram eles quem tinham de se "arranjar".

Passado talvez um ano o meu Pai sai e entra a minha Mãe, passado alguns anos o meu Pai termina uma relação de vários anos e também ele volta, ficamos os 3, entretanto sai a minha Mãe, volta, sai o meu Pai, volta, eu fico sempre, até que um dia ficamos os 3 outra vez, cada um deles com vida própria e relações amorosas independentes, cada um por si e os dois por mim. 

Um dia sai eu de casa e eles ficaram, os dois, na independência dependente que os caracteriza. 

Quando na escola contava o meu modo de vida havia que sem risse, havia quem não fizesse questões e havia ainda quem me questionasse sem fim, havia que achasse graça, quem entendesse e quem não entendesse. 

Apesar deste modo de vida nem sempre ser bom também havia momentos em que não era mau, mas tenho em crer que também é assim nas famílias tradicionais. 

E cresci assim, com pais separados juntos, com vidas separadas paralelas, com relações distantes próximas.

O meu pai casa hoje, vai casar com a M. e mais uma vez tudo é diferente do suposto tradicional, a M. tem menos 5 anos do que eu, a M. podia ser filha do meu Pai, não, a M. não é brasileira como tantas vezes me perguntam, a M. é também ela filha de uma família atípica ou disfuncional como há quem goste de assim chamar, a M. é uma mulher doce e meiga, cheia de bons princípios e valores, com uma dedicação e amor desmedido pelo meu Pai, não, também não é por dinheiro, nesta, para mim família, cada um vive do esforço do seu trabalho. 

Mas esta não é a primeira vez que vivo isto, também a minha Mãe teve durante anos uma relação com uma pessoa muito mais nova do que ela, pelo que, já tenho um enorme estofo para as perguntas e respostas para as relações amorosas dos meus pais. 

Hoje o meu pai vai casar e a minha Mãe é a sua madrinha de casamento.

E esta é a minha família atípica e disfuncional, sem dúvida atípica e disfuncional na forma como gostamos verdadeiramente um dos outros, na capacidade de aceitação, na cumplicidade, na amizade, no amor que nos une aos 3! 

❤️❤️❤️❤️

18/08/2016

Oh Mãe...



Oh Mãe eu quero!
Oh Mãe dá!
Oh Mãe vá lá...
Oh Mãe posso?
Oh Mãe tenho sono!
Oh Mãe tenho sede!
Oh Mãe fiz dói dói!
Oh Mãe doí!
Oh Mãe tenho fome!
Vou dizer à Mãe!
Oh Mãe quero fazer xixi!
Eu quero a Mãe!
A Mãeeeeeeeee!
Ohhhh Mãeeeeee!
A Mãe é que faz!
A Mãe é que sabe!
Oh Mãe colo!
Não és tu, é a Mãe!
Mãe és má!
Mãe querida!
Gosto tanto de ti Mãe!
Mãe, leitinho!
Vamos Mãe!?
Oh Mãe agora!
Mãe tenho frio!
Mãe tenho calor!
Oh Mãe não gosto de sopa!
Oh Mãe eu não quero!
Oh Mãe não fui eu!
Oh Mãe eu prometo...
Oh Mãe mas porquê?
Oh Mãe, Mãezinha, Mamã...
Oh Mãe obrigada!
Oh Mãe ♥️

♥️♥️♥️♥️

11/08/2016

Mas...

...não é o dia dos Filhos todos os dias a partir do momento em que somos filhos ou pais?! ❤️


❤️❤️❤️❤️

06/08/2016

Estamos de férias...

há uma semana.


Desta foto resulta e até parece, que as nossas férias estão a ser uma maravilha. Mas só parece!

Férias com filhos é sempre aquela logística que por muitos métodos e teorias que se arranje não sabe verdadeiramente a férias.

Fujo às rotinas e horários sem peso na consciência mas admito que as voltas trocadas lhes causam algumas diferenças, incluindo no comportamento, admito ainda que há dias em que desejo que estas férias acabem rápido e que trabalhar cansa bem menos.

Gerir dois filhos tão pequenos e com idades tão próximas é também uma aprendizagem constante, em tudo na vida vamos ganhando maturidade, e na maternidade não é excepção, e sei que por vezes me falta maturidade emocional para gerir conflitos e birras e que em vez de parar para pensar me deixo levar.

Consola-me saber que apesar da minha falta de paciência e dificuldade na gestão, nestas férias sentem-se livres, estão felizes! 

Ainda assim, não me deixo enganar pelas fotos que aparecem no timeline do facebook e instagram.

Não se deixem enganar com as minhas também :-) :-) :-) :-) 

Boas férias! 

❤️❤️❤️❤️

20/07/2016

Há dias de poucas palavras...



Há mais silêncio do que letras, e as que se ouvem, são para mim vazias de sentido.

O coração encosta-se ao estômago, e é à coluna a quem cabe a tarefa e o esforço de desfazer este nó e manter-me direita para seguir o caminho.

E mesmo com dúvidas, incertezas e hesitações a pulsarem na minha cabeça, palpitarem no meu coração e a latejarem na minha alma, prefiro manter-me no silêncio e na ignorância.

Prefiro calar-me quando só o meu silêncio é capaz de abafar o barulho incómodo da minha própria indignação.

Preciso de me manter calada para que os “desafectos”, não afectem a minha paz, nem me arranhem o juízo.

Procuro no meu silêncio inspirar a calma e a tolerância da qual estou sedenta.

Procuro com o grito do meu silêncio fazer com que alguns ouvidos se apercebam dos seus enganos.

Prefiro o silêncio ao retruque e às palavras que não constroem,

Prefiro a calma à inquietude,

Prefiro a tolerância à provocação.

Quero ser imune aos erros dos outros.

Quero a paz e a tranquilidade.

Há dias assim, de poucas palavras... e muito por dizer.

♥️♥️♥️♥️

11/07/2016

E pela 1ª vez...


Créditos da Foto da Tia Rita aqui

... na minha vida, o Futebol fez-me vibrar! 

Vibrar muitooooooooooooo a sério, fez-me ter vontade de gritar, de saltar, de morder a camisola, de consolar o Cris Ron, de pintar a cara, erguer um cachecol.

Não sou adepta de Futebol, e mais do que não gostar é não compreender muitas fez o fascínio que muitas pessoas têm por este desporto. 

Clubismos à parte, tenho para mim que a selecção portuguesa de futebol é muito mais do que um campeonato de futebol, a selecção mais do que ter proporcionado um excelente espectáculo, para mim enquanto espectadora foi isto, um excelente espectáculo, proporciona momentos incríveis entre os que se juntam para a assistir ao espectáculo. 

Nunca mais vou esquecer que assisti com amigos que adoro, num dia maravilhoso, em que os meus filhos estavam incrivelmente felizes, a Portugal a ganhar pela primeira vez um campeonato europeu.

V - Cucugal! Cucugal! Cucugal! 

M - Portugal allez! Lá lá lá lá lá 

Eu - Ai meu querido Cristianoooooooooooooooooooooooooooo! 

A - (não falava) buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa 

Há dias bons!

Portugal! Portugal! Portugal!

♥️♥️♥️♥️

08/07/2016

Da exigência...

Há quem não conte que os filhos não são sempre queridos e fofinhos. 

A verdade é que os filhos também são chatos, acordam de mau humor, repetem vezes sem conta as mesmas palavras e frases, fazem reiteradamente as mesmas perguntas às quais por vezes ou não temos resposta ou não queremos responder, insistem em modo burro do Shrek se estamos a chegar? Ainda falta muito? quando nem há 5 segundos dissemos que estamos a chegar, fazem birras do nada e sem razão, choram e gritam nos sítios e ocasiões menos apropriados, definitivamente, os filhos não são sempre queridos e fofinhos. 

Mas e as Mães?

Eu também não sou sempre querida e fofinha e aposto que há mais Mães que não o sejam. 

Mas o problema disto tudo, é que exigimos demais, exigimos que as crianças se portem sempre bem, exigimos que as crianças não interrompam as conversas dos adultos, exigimos que façam as coisas ao nosso ritmo, exigimos que têm que cumprimentar as pessoas quando chegam, às vezes até a dar dois beijinhos e um abraço a alguém que só vêm uma vez por ano, exigimos que emprestem os brinquedos, exigimos que os dividam, exigimos que se entendam com o(s)  irmão(s), primo ou amigo que não queira dividir os seus brinquedos, exigimos que aceite se o amigo raivoso bateu, exigimos que não bata de volta, exigimos que não chore, exigimos que não pode falar quando não for o seu tempo, exigimos que não interrompam as refeições, exigimos que simplesmente não interrompam só porque por exemplo tem um desenho muito bonito e o quer mostrar. 

- Tu não vês que estou a comer, ai que lindo que está, agora vai lá continuar a pintar para eu e o Pai comermos sossegados.

Espera lá, um desenho? Mas que desenho é este? Ah sou eu, a Mãe! 

Pára tudo…

Tu querias interromper-me para mostrar-me o desenho que aprendeste a fazer?

Querias tão somente a minha presença, a minha atenção, o meu amor. 

Desculpem-me meus filhos, exijam que eu pare para vos olhar, exijam que vos oiça, exijam que eu páre para me dedicar a vocês em exclusivo nem que seja por meia hora, exijam que brinque com vocês, exijam que eu esqueça os adultos, o telemóvel, o trabalho, o cansaço, a casa e as suas obrigações, exijam que me sente no chão a brincar com vocês, exijam que eu vos oiça, exijam que eu vos ensine, exijam que eu vos dê atenção, exijam que entre com vocês no mundo do faz de conta, exijam que eu não me esqueça que são crianças, exijam que eu deixe de exigir.

Sejam exigentes comigo!

*para lerem quando crescerem 

♥️♥️♥️♥️

07/07/2016

A minha Bailarina ❤️





Obrigada querida S. pelas fotos

Lembro-me de quando era pequena de querer muito muito muito andar no Ballet. 

A minha Mãe não sabe nadar e por essa razão fui para a natação em vez de ter ido para o Ballet, podia lá a menina não saber nadar. 

Mas eu olhava, olhava as outras meninas enfiadas naqueles lindos maiollts, saias com tules e sapatilhas de laço, o cabelo com maravilhosos carrapitos enfiados em redes e fitas de cetim, ornados com gel e brilhantes, meninas que viviam ainda que por instantes num mundo cor de rosa.

E depois, olhava para mim enfiada num fato de banho que não tinha tule, óculos na cara que não eram cor de rosa e me distorciam as feicções e touca na cabeça que seria o único elemento distintivo dentro de água se por sorte ninguém tivesse uma touca da cor da minha (vá, essa geralmente era cor de rosa), um mundo sem qualquer magia a não ser o momento em que fazia o golfinho.

E pronto, aprendi a nadar e nunca me enfiei num maiollt de ballet. 

A minha Mãe projectou em mim os seus medos e um bocadinho dos seus sonhos, a minha Mãe influenciou-me para seguir um curso que não adorei porque a minha primeira opção não era aceitável e consequentemente uma profissão que não veste a minha pele na totalidade. 

É certo que os filhos são a extensão dos pais no sentido em que herdam características físicas e muitas vezes psicológicas, mas este todo que são os filhos, não são a soma das partes, esse todo é uma pessoa única e com vontade própria.

Não quero projectar os meus próprios desejos não realizados nos meus filhos, está claro na minha cabeça que  não me pretendo ver reflectida neles, estou consciente que os meus filhos são pessoas com individualidade e sonhos próprios, e que o meu papel nesse processo será orientá-los para que alcancem a realização pessoal e profissional e estejam satisfeitos com as decisões que tomem ao longo das suas vidas.

Por isso, como uma caixa de surpresas, deixarei que exerçam os seus talentos únicos um a um, confiando sempre neles e permitindo-lhes que criem o seu próprio caminho…

Quando ela quiser...deixa o Ballet.

Minha Bailarina ❤️

♥️♥️♥️♥️

05/07/2016

A diferença aos olhos de Baby M.

No meu novo desafio profissional trabalho com muitas pessoas oriundas da Ásia. 

Ontem depois de já estar em casa, precisei de voltar ao trabalho e a M. veio comigo. 

Vinha empolgada, todas as crianças crescem com esta grande vontade de irem ao trabalho dos pais, perguntava-me pelo caminho se também lá estava a minha professora, os meus amigos e se também tinha um recreio para brincar. 

Chegou curiosa e observadora, perguntava-me o que é que as pessoas estavam a dizer porque não percebia nada do que diziam, respondi-lhe que falavam chinês. 

- O que é chinês Mãe? 

- Chinês é uma língua diferente do português assim como o Inglês que aprendes na escola. 

- Mas chinês é no Portugal? 

- Não filha, chinês é a língua que se fala na China, e são os chineses que vivem na China e falam chinês. Os chineses são aquelas pessoas que têm os olhos mais rasgados que os teus. Assim como a Sara a amiga do Ruca. Não viste que as meninas chinesas tinham os olhos assim (enquanto gesticulo com os dedos nos meus olhos)?

- Não Mãe, as meninas eram igual a nós!

                     


♥️♥️♥️♥️

30/06/2016

Do Desapego...

As Mães são afeiçoadas, dedicadas, apegadas... diria que é quase uma condição inata à maternidade. 

Apegam-se aos filhos que chegam como se fossem a sua própria continuação, e naquele período de dúvidas, de mudança e agitação que dura alguns meses após o parto, Mãe e bebé vivem quase que em modo simbiose.

É preciso alguma resignação para aceitar que, apesar do bebé ter sido só seu durante nove meses, quando nascem, estes bebés "desapegam-se" para o mundo e a unidade Mãe e filho transforma-se em relação, em vínculo, em laços. 

Ao perder-se a "fantasia" da tal unidade, a mulher que foi Mãe, precisa de voltar a reencontrar-se em si própria muito além do seu papel de Mãe.

Mas não, as Mães continuam a apegar-se, mas agora a uma função, a um papel que a mais ninguém cabe, que mais ninguém sabe ocupar, que mais ninguém tem capacidade, como se, sem a Mãe, o bebé perdesse a fonte onde encontra tudo que precisa para ser no mundo.

Viver nesta "fantasia" faz de nós indispensáveis e faz com que deixemos de pensar no que há para além de ser Mãe.

As Mães são como que gerentes da própria vida e da vida familiar no geral, assumem responsabilidades domésticas, cuidam dos filhos, frequentam a farmácia com mais regularidade que o cabeleireiro e manicure, dormem pouco ou nada, comem a meias, em prestações ou às escondidas, enloquecem regularmente, olham-se ao espelho com ar de espanto por deixarem de ter sido aquela que eram antes de ser Mãe ...

... mas às vezes as mulheres que somos gritam para continuar a existir, estão cansadas de ser Mãe, cansadas de ser gerentes, as que cuidam de tudo, as que tentam manter a paz, o futuro dos filhos, o bem estar da casa, e às vezes só querem ser apenas elas próprias, debilitadas, cansadas, humanas, Mulheres, e nós, nós mandamos calar.

Esta sou eu...

Sem vergonha nenhuma de dizer que não sei praticar o desapego!

♥️♥️♥️♥️