31/08/2017

Dos dias que não deviam existir...

Nada estava preparado.

Saiu de casa. 

Aposto que deixou a cozinha desarrumada, sapatos espalhados e a cama por fazer. 

Sei que estava a cantarolar naquele preciso momento. 

Quando sem convite e em segundos deixou de estar fisicamente presente. 

Nunca mais vai voltar a sua casa, com a cozinha desarrumada, sapatos espalhados e a cama por fazer. 

Agora temos dentro das gavetas as lembranças, no ouvido a gargalhada, na memória os momentos vividos e no coração a eterna presença. 

Se tivesse oportunidade de fazer uma última pergunta: 

 “O que queres que eu faça?” 

- Cuida da tua Mãe, dancem, sejam felizes! - seria por certo a resposta. 

Morrer é uma interrupção abrupta que nunca estaremos prontos para entender. 

Morrer-nos uma amiga de toda a vida será por certo, qualquer coisa como perder um pulmão. Ao inicio tens dificuldade em respirar, aos poucos começas a conseguir respirar e passado algum tempo sorrir não te tira o fôlego, mas nunca mais consegues respirar fundo sem doer.

Da vida não podemos deixar marcas mas podemos deixar boas lembranças, alegria, amor, carinho, dedicação, histórias que os filhos, familiares e amigos contam enquanto sorriem. 

Porque a morte também é uma lição para quem fica e faz de nós pessoas melhores.

Não deixes de amar, aproveita cada momento como se fosse o último, deixa boas impressões, aperta a mão do próximo, abraça, brinca, sorri, sorri muito mesmo, dança, desapega-te do que te faz mal, perdoa. O que fica da vida não é o ponto de partida, nem o ponto de chegada, mas sim o que construímos ao longo do nosso caminho. 

Um até já minha querida Tia O. 
Eu tomo conta da minha Mãe. 

♥️♥️♥️♥️

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