07/04/2014

Coisas que ninguém pensa!



No outro dia uma amiga que só me tinha ido visitar ao hospital veio cá a casa, assim que entrou e me viu os seus olhos gritavam: coitadinha!!!

Fez-me muitas muitas perguntas sobre a logística do meu dia-a-dia, perguntas sobre coisas básicas e comuns no dia-a-dia de cada um, aquelas coisas que são tão banais que nem temos que pensar como é que se fazem: 

Como é que tomas banho?
Quando tudo se deu e fui internada no hospital, só tomei banho no dia seguinte. Pela manhã vejo duas auxiliares a entrarem pelo meu quarto, alguidares, toalhas, esponjas, lençóis ... todo o material para me darem banho mesmo ali...na cama! Não estava preparada psicologicamente para aquilo, custou-me muito, fiquei do tamanho de uma ervilha, não chorei por vergonha!
Até ordens para me levantar os banhos foram sempre assim, na cama!
Quando me foi dada autorização para me levantar para ir somente à casa de banho, passei a poder tomar banho na banheira mas banho na banheira, sentada e uma vez por semana o que se mantém até agora, o resto dos dias banho “à gato”.
O dia do banho é dia de maratona, tudo custa e demora e assim que estou despachada estou prontinha para me voltar a deitar.

Quando não te podias levantar e estavas sozinha em casa como é que ias à casa de banho?
Nessa altura e quando estava acompanhada comprou-se uma arrastadeira cá para casa.
Quando estava sozinha, tínhamos que arranjar uma solução, fraldas!
Quando pedi ao A. para me ir comprar fraldas ele gelou, ficou branco, acho que não estava à espera e que de alguma forma lhe custou, mas a realidade é que tínhamos que arranjar uma solução. Não me comprou fraldas, acho que não deve ter conseguido, comprou cuecas de incontinência que fizeram o mesmo efeito e na realidade só muda o nome. 
Confesso que foi o bater no fundo, mas foi o mais fácil e simples, veste, faz chichi, despe, dodots e está feito. (Não, não havia mais nada além de chichis na fralda e na arrastadeira)

À medida que ia respondendo a estas perguntas básicas do meu dia-a-dia, a minha amiga fazia um ar cada vez mais incrédulo, só me dizia: coisas tão simples e eu nunca tinha parado 1 minuto para pensar como é que as fazias e a dificuldade que é para ti fazê-las- E ainda rematou com: incrível como consegues manter a lucidez para arranjar solução para as situações e me contas isso sem vergonha.
Vergonha porque "usei" fraldas ou porque me deram banho???? Não tenho vergonha nenhuma de contar. 
Como se costuma dizer o que tem que ser tem muita força e tudo tem valido a pena, os dias passam, a barriga cresce e isso é que me vai dando alento.
O V. é quem tem sido um lutador, que se agarrou à vida e à mãe, um valente!


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