01/03/2017

Porquê? Mas porquê?

Hoje escrevo este post para um dia mais tarde me lembrar que o V. está neste momento na hilariante fase dos porquê’s e questiono-me se não está este menino a ser precoce quanto a este assunto.

A M. também teve uma fase destas (ainda tem e estou em crer que vai ter sempre, assim como ele) mas não com o fervor com que o V. a está a passar e com pena não me recordo quando a começou.

- V., veste o casaco.

- Puquê?

- Está frio.

- Puquê?

- Porque estamos no Inverno.

- Puquê?

Tento explicar as 4 estações de forma a que uma criança de 2 anos entenda, mas não resulta, em cada afirmação minha surge um porquê e confesso que com ele está a dar luta e está a ser um desafio, não se convence nem se contenta facilmente.

Porquê? Porquê? Porquê?

Sei que não o faz com a intenção de querer ser “chato” ou porque não ouviu todas as respostas que dei aos seus porquê´s, já percebi e já sei que o faz porque quer perceber-se a si mesmo, perceber os outros, perceber a forma de agir e de funcionamento das coisas, basicamente, quer perceber tudo ou quase tudo que o rodeia.

Procuro ter sabedoria para responder de forma eficaz e esclarecedora aos seus porquê´s, mas essencialmente procuro ter paciência, que ao fim de muitos porquê´s começa a escassear.

Enquanto conduzo:

- Mãe, pára o carro.

- Não posso parar aqui.

- Puquê?

- É proibido.

- Puquê?

- Os policias não deixam.

- Puquê? Xão maus?

- Não.

- Então pára o carro.

- Não posso.

- Puquê?

Haja imaginação mas… voltando à paciência, (e que me aponte o dedo a Mãe que já não perdeu a paciência com os porquê's e que acabou com um: Porquê Não! para acabar a conversa), é necessário manter a calma e permanecer o mais serena possível para que ele não perca a confiança de me continuar a questionar com os seus porquê’s e continuar o seu processo de aprendizagem e descoberta junto de mim.  

Por isso:
  • Tento evitar o silêncio ou ignorá-los e procuro ouvir com atenção e responder sempre com imenso interesse a todos os porquê's;
  • Quando não sei a resposta digo convicta que não sei e tento transmitir que não saber tudo não é um problema e sugiro que juntos vamos tentar responder à pergunta;
  • Não critico os porquê´s, nem faço deles um tabu e tento dar respostas adequadas à idade e maturidade deles;
  • À excepção do Pai Natal e da Fada dos Dentes (vá também temos que dar alguma magia à infância) tento não elaborar respostas “fantasia” para que um dia mais tarde não me acusem de ser uma grande mentirosa;
  • Tento (e aqui às vezes não consigo) não dar a resposta antes da pergunta que já sei qual vai ser.

E vocês? Como "se safam" desta fase dos porquê´s dos vossos filhos? 

♥️♥️♥️♥️

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