31/10/2014

Vamos ajudar...

Perguntaram-me uma vez porque não escrevia sobre este tipo de assuntos no blogue, tento abstrair-me, cobarde eu sei, confesso que nunca consegui fazer um like na página da Nonô, eu sabia que mesmo não querendo (mas no fundo queria) ia sabendo dela. A Nonô é (impensável escrever era) prima de uma amiga a quem um dia confessei esta minha cobardia, esta minha fraqueza e ela gentilmente me disse que não, eu não era nem cobarde nem fraca, protegia-me do que me sensibiliza e me faz pensar, do que me tira o sono. 

Entretanto ontem vejo a circular no Facebook a Página da Genny e da Gui, a primeira coisa que me veio à cabeça é que seria uma fraude para extorquir dinheiro (shame on me) na altura a página teria qualquer coisa como 200 likes, entretanto passado umas horas a página volta a aparecer-me e já tem por volta dos 1.000likes e sempre que me voltava a aparecer os likes aumentavam a grande velocidade, entretanto li num grupo de culinária alguém que ripostava pelo facto de outro alguém ter partilhado a página num grupo que nada tinha a ver com o assunto, li os comentários dos que eram a favor, dos que naõ eram a favor e dos que diziam que conheciam a Genny e o Gonçalo, fiquei a pensar…

Ao jantar oiço ao longe a noticia no Telejornal, oiço um testemunho de um pai em lágrimas desesperado, conto a história ao A. e digo-lhe que quero contribuir. 

A gravidez do V. foi toda de coração nas mãos, primeiro, e pelo pouco tempo de gestação, o medo de o perder e depois, à medida que o tempo avançava, que nascesse prematuro, tinha este medo terrível, este medo terrível de ter um filho e chegar a casa com as mãos a abanar. 

Não imagino o que seja estar numa situação desta, na incerteza da sobrevivência de um filho, longe, tão longe do seu país e sem poderem voltar, estes pais precisam de ajuda, bem sei que há muitas pessoas a precisar de ajuda, mas temos que começar por algum lado e infelizmente temos que fazer escolhas por não conseguir chegar a todo o lado, e confesso que este assunto me toca em particular e se todos ajudarmos independentemente do valor que podemos disponibilizar, as causas que nos nos sensibilizam, que nos fazem pensar, que nos tiram o sono, certamente que viveremos num mundo muito melhor. 

E não, desta vez também não consigo fazer like na página.

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