10/11/2014

Ao meu Avô

Raramente sonho com ele, muito raro mesmo, tenho uma relação com os sonhos assim para o esquisito, mas gostava de sonhar mais vezes com ele. 

Hoje também não sonhei com ele, mas lembrei-me dele e associado à lembrança um cheiro que de repente parecia que ele estava ali ao meu lado, hoje ele fazia anos. 

Já contei que o meu Avó foi o meu primeiro e grande desgosto da minha vida, foi assim de repente sem ninguém estar à espera, eu estava lá, fiquei completamente impotente, sem coragem para enfrentar a situação e fiquei do lado de fora ficando apenas uma porta a separar-nos, longe de imaginar que seria uma separação física para todo o sempre. 

Tinhamos uma relação especial, uma cumplicidade ímpar, era alto, grande, mãos enormes, com uns olhos verdes que desejava fervorosamente que os meus filhos herdassem, um coração bem à medida do seu tamanho, doce e meigo. 

Queria tanto que me tivesse visto a acabar o curso, que tivesse conhecido o A., me tivesse visto a casar, conhecesse os meus filhos, que os levasse na mão como me levava a mim em jeito de passeio e enquanto me apresentava o mundo e as coisas do mundo, queria que me voltasse a fazer capilé, groselha e pastéis de massa tenra, queria voltar a sentir a sua mão no meu ombro como que a proteger-me, aquelas mãos grandes mas de uma delicadeza que me convidavam constantemente à cumplicidade e à entrega deste amor que nos unia, queria... o que eu queria mesmo mesmo era ter-te aqui comigo outra vez, poder abraçar-te e dizer-te ao ouvido: Parabéns, gosto muito de ti! 

Tenho tantas saudades tuas!

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